domingo, 17 de outubro de 2021

SPACE ADVENTURE

 



 

A exposição iniciada no dia 26/8 vai até 26/10 no estacionamento do shopping Eldorado. Finalmente fomos no dia 11/10 com o casal de amigos Moriama e Denise – belo presente de dia das crianças antecipado. Com horário marcado, a expo abre as portas a cada 20 minutos para controlar a quantidade de pessoas nos seus 2.600m². Nosso amigo tem um canal no youtube onde fala da expo e mostra, no vídeo abaixo, como foi nossa visita.

 


            A Space Adventure conta com mais de 300 itens originais da NASA (alguns até autografados) e 20 réplicas, incluindo os módulos de comando e lunar, além do Lunar Rover, o jipe lunar, este em tamanho natural.

 



            Logo no começo, somos recebidos em uma sala para assistirmos ao filme abaixo ao belo som de “Rocket Man” de Elton John.



 

Chegamos então a um corredor no qual o primeiro item é um modelo do foguete V2, o primeiro grande foguete bem sucedido. Seu primeiro voo foi em 1942 sendo depois utilizado como arma pela Alemanha. Por sinal o V quer dizer Vergeltungswaffe 2 (ou seja “Arma de Vingança 2”). Após a guerra EUA e URSS utilizaram o V2 no início de seus programas espaciais.

 


            Ao longo do corredor estão expostas várias imagens dos astronautas e cosmonautas pioneiros, incluindo Yuri Gagarin (primeiro homem a ir ao espaço em 12/04/1961), Valentina Tereshkova (primeira mulher a ir ao espaço em 16/06/1963), e os primeiros astronautas Norte Americanos conhecidos como Mercury Seven, entre outros.

 


            No pavilhão principal, entre inúmeros itens, trajes espaciais, equipamentos, alimentos e vários outros destaques. Principalmente se olhar para o teto e contemplar satélites e foguetes como Sputnik I, Explorer I, Titan II e Saturn V. Este último, o foguete que levou a humanidade à Lua também está representado por um modelo no qual se pode ver o interior de cada estágio.

 



            Entre os trajes espaciais podemos ver sua evolução desde o Projeto Mercury até a indumentária utilizada nos pousos lunares do projeto Apollo. Destaque deste último ser o utilizado por Edwin Eugene Aldrin Jr., o famoso Buzz (sim, ele que foi homenageado no nosso querido Buzz Lightyear de Toy Story).

 


            A sala seguinte era a de controle, com algumas mesas imitando a mesa central, e original da NASA, com o telefone vermelho e o cronômetro para o lançamento. Essa parte foi rápida e logo passamos para uma sala com cinema 360° e teto todo escuro. O filme começa com os preparativos do lançamento do Saturn V e acima de nós estão seus motores. 5, 4, 3, 2, 1... e sentimos o chão tremer! Estamos iniciando uma jornada à Lua!


 

 



 

            As portas se abrem e estamos na Lua. Aqui estão expostos os elementos de cada missão Apollo. Um modelo da Terra à Lua, com a trajetória que percorremos na sala anterior. O Lunar Rover, dois astronautas e a bandeira Norte Americana simulando o primeiro pouso na Lua, ao lado do Módulo Lunar. Vemos também o módulo de comando (gente, aquilo é claustrofóóóbico) e muitas informações sobre cada missão, locais de pouso, fotos e itens.

 




















            Mais ao fundo temos um modelo da Lua com pequenos módulos lunares, representando as Missões Apollo 11, 12, 14, 15, 16 e 17. A Apollo 13, como sabem, experimentou problemas técnicos e precisou voltar para a Terra.

 

            Ao lado, vários elementos das missões lunares, incluindo uma réplica da placa deixada na Lua após o primeiro pouso em 20/07/1969. Podemos ainda contemplar uma autêntica rocha lunar que proporciona ótimas selfies, e um grande mural ao lado expõe vários jornais e revistas da época da Apollo 11. Ainda podemos conferir dois exemplares dos relógios usados pelos astronautas, do modelo Omega Speedmaster, fotos e documentos com assinaturas dos tripulantes.

 

            A última parte da exposição é a “lodjinha”, com camisetas, bonés, bottons, chaveiros, canecas e muitos outros itens à disposição.

 

            Visitar a Space Adventure foi quase a realização do sonho dessas duas crianças que vos teclam.

 

            Além do mais, já nos deixou no clima para acompanhar o vôo espacial pela Blue Origin, de William Shatner (Capitão Kirk forever!) realizado dois dias depois. Acompanhamos ao vivo pela internet, nos arrepiando a cada momento. Foi emocionante!

 

 

Aproveite para visitar a Space Adventure o quanto antes. São as últimas semanas!!! Essa visita nos lembrou as palavras do cientista russo e teórico do vôo espacial Konstantin Tsiolkovsky:

 

“A Terra é o berço da Humanidade,

mas não podemos viver sempre no berço.”




domingo, 26 de setembro de 2021

QUE FLAGRA!!!!!

SAMSUNG ROCK EXHIBITION RITA LEE

 




Que flagra! Que flagra! Que flagra!

Rita Lee tem acervo exposto em mostra cheia de surpresas no MIS, em São Paulo

 

Uma explosão de cores, de música e de alegria. Assim pode ser descrita a exposição Samsung Rock Exhibition Rita Lee realizada pela Dançar Marketing em parceria com o Ministério do Turismo por meio da Secretaria Especial da Cultura, com patrocínio máster da Samsung, patrocínio da XP e Porto Seguro e apoio UNINASSAU. A mostra sobre a maior roqueira do planeta, abre na quinta-feira (23) no MIS (Museu de Imagem e do Som), Instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo

 

 

“Sou dessas acumuladoras que não jogam fora nem papel de embrulho e barbante. Vou adorar abrir meu baú e dividir as histórias que as traquitanas contam com quem for visitar. Tenho recebido ajuda de uma turma da pesada: o grand maestro da cenografia é do meu querido Chico Spinosa, meu figurinista e carnavalesco da Vai-Vai; a direção é do meu multitalentoso Guilherme Samora e a curadoria é do meu filho João”, conta Rita.

 

“É muito emocionante. Tem uma parte dessa história que vivi com ela e tem outra que não estava aqui ainda. Então, ver essas roupas, esses momentos tomarem vida, é muito emocionante. São personagens, também, de meus sonhos e imaginação. E é a história de vida da minha mãe. E isso mexe diretamente com minha emoção”, avalia João Lee, o curador.

 

E essa mistura deu à exposição um jeito muito próprio, como conta Guilherme Samora, o diretor artístico. “Acredito que as pessoas vão se surpreender. Existe tanto acervo da Rita que o que enfrentamos nessa exposição foi justamente a edição do que ficaria de fora. Artigos preciosos e raridades não faltam. Por isso, ela foge do estilo de exposições com muitas reproduções ou essencialmente virtuais. Durante a montagem, fiquei arrepiado em diversos momentos, só de sentir o valor de cada peça, de cada sala. Tudo lá tem um motivo. E uma das grandes preciosidades é justamente ter o Chico Spinosa, que trabalhou com a Rita pela primeira vez em 1982, nessa viagem com a gente.”

 

Spinosa é um artista. Ao visitar a exposição, nada ali é fruto de um padrão, de uma forma ou de escala industrial. Tudo foi pensado, feito e readaptado para uma realidade colorida, seguindo o roteiro da direção: uma roqueira cheia de cor que chega à Terra em um disco voador. Detalhes, como uma aura de Aparecida ou das estrelas feitas à mão, assim como a recriação do palco giratório da tour 1982/1983 (ou O Circo, como ficou conhecida), tudo é feito para a mostra. Artesanal, no melhor sentido da palavra. A equipe colocou o trabalho em cada letra pintada na parede, em cada figurino que precisou ser restaurado ou em cada peruca: todas, com cores e cortes estudados.

 

Spinosa fala da emoção desse momento: “Encontrar com Rita Lee foi primordial para minha carreira. Alguns anos atrás, nos encontramos para fazer o especial ‘O Circo’, da TV Globo. Eu, paulista, chegando na Globo vindo da TV Tupi, fui fazer o figurino desse especial e foi um marco. Foi como tomar um lisérgico. Rita mudou totalmente a minha maneira de ver. Eu conheci o pop, eu fiquei encantado com a energia, com o colorido e com a estética que essa mulher tem. Nos encontramos outras vezes, em outros trabalhos: no manto de Nossa Senhora Aparecida para o Hollywood Rock de 1995, na Marca da Zorra, nas cabeças de Santa Rita de Sampa, na Erva Venenosa... hoje, com esse convite para a cenografia e o restauro dos figurinos para a exposição, tenho certeza de que Rita sempre foi o melhor do pop e o melhor de mim. Revendo toda a sua obra, me coloco de quatro a essa poetisa. A quem respeito muito. Nesse encontro, aos meus 70 anos, ela me dá energia e me faz mais criativo”.

Um dos destaques?  As manequins, com estudos de Spinosa e Samora, e feitas uma a uma por Clívia Cohen, em posições de Rita, com o rosto da artista em todas elas, com uma precisão surreal e excelente interpretação artística. 

 


A divisão das salas é temática e, em tantos casos, afetiva. E Rita tem suas preferências: “Todas as peças contam uma história diferente e engraçada. Mas o vestido de noiva que Leila Diniz usou e a bota prateada da Biba eu dou valor.  E ambos são produtos de roubo”, diverte-se Rita, ao lembrar que nunca devolveu o vestido depois de usar numa apresentação dos Mutantes e da famosa história das botas, com as quais saiu andando da butique Biba, de Londres, em 1973. Ela não só foi perdoada pela estilista Barbara Hulanicki, a criadora das botas, como ganhou dela os figurinos da tour Babilônia (1978) que também estão expostos. Assim como o piano de mais de 100 anos que era da mãe de Rita, Chesa, que foi o instrumento com o qual ela teve seu primeiro contato com a música.

 

O encontro e o amor de Rita e Roberto de Carvalho; a repressão da ditadura (Rita é a compositora mais proibida, segundo dados da época) e a prisão; a família; a causa animal e obras de arte da Rita têm destaque. Assim como estruturas criadas especialmente para a mostra, como o palco giratório, a manequim que levita, o Peter Pan que sobrevoa a entrada…

 

O estúdio é um caso à parte: terá uma experiência de áudio imersivo que utiliza a tecnologia Dolby Atmos, com projeto desenvolvido pela ANZ Immersive Audio, trazendo uma experiência sonora imersiva para a sala da exposição baseada em um estúdio. Ultrapassando a reprodução de som da maneira convencional, o áudio imersivo proporciona uma escuta similar à vida real, com sons acima, abaixo, aos lados, na diagonal, em toda sua volta. A ANZ espacializou músicas da rainha do rock em 3D, e preparou uma instalação na qual as caixas de som, de altíssima qualidade, foram perfeitamente posicionadas para o público escutar algumas de suas obras como nunca: vindas de todas as direções. “É uma tecnologia que permite que a gente consiga ouvir vários detalhes da música que antigamente a gente não conseguiria. Vai dar claridade aos elementos e muito mais profundidade. E vai ser superinteressante: ao invés de a música te pegar só na direita e esquerda, ela te pega em 360°”, explica João.

 

Um detalhe especial – e que vai levar a exposição a outro nível – é a visita guiada pela própria Rita. Através de QRCodes, os visitantes poderão ouvi-la contando sobre alas, peças, histórias... “Achamos que ia ficar simpático ter minha voz narrando as histórias das peças, me sinto mais íntima do visitante. Não seria exagero dizer que esta exposição vai ser a mais bacana até agora, porque foi pensada para dar alegria às pessoas no meio de tantas tristezas”.

 

Guilherme Samora chama atenção para um fato: “Rita é especial. Grande estrela desse universo. Uma mulher cheia de luz e de camadas. Ela representa a liberdade, o colorido, o amor. E é justamente isso que queremos passar na exposição. Portanto, destaco aqui a liberdade criativa que a Dançar Marketing nos concedeu. É essencial ter essa liberdade e esse apoio num projeto que envolva Rita”.

 

Para Pedro Bianco, presidente da Dançar Marketing, o projeto é especial. “Sem dúvida alguma é uma das exposições mais significativas e marcantes na história da música brasileira. É imperdível! ‘Agora só falta você’”, afirma.

 

“Na Samsung, entendemos que a conexão com os consumidores vai além dos produtos: ela é baseada em experiências únicas, como proporciona o Samsung Rock Exhibition. Temos o compromisso em fornecer serviços e estabelecer relações que inspirem as pessoas a fazerem o impossível. Estamos muito contentes em marcamos presença em mais uma edição como patrocinador máster. Rita Lee é sinônimo de sucesso e temos certeza que a exposição será inesquecível para o público”, afirma Débora Yang, gerente de marketing de Brand Experience e Eventos da Samsung Brasil.

 

Sobre a Dançar Marketing

Com uma história repleta de pioneirismo, a Dançar Marketing movimenta o mercado de marketing cultural brasileiro há 40 anos. A empresa firmou um marco importante para a democratização cultural, sendo a primeira a realizar grandes apresentações open air no país, como “Concertos de Vinólia”, o maior evento itinerante de música clássica ao ar livre já realizado no Brasil. O projeto inaugurou o Parque Ibirapuera como ponto cultural das manhãs de domingo, colocando-o como um dos principais palcos para grandes eventos em São Paulo. A relevância e sucesso do projeto conquistou também a mídia brasileira, contando com transmissões em emissoras de rádio e canais de TV, como Cultura e Bandeirantes. Fundada em 1982 a partir da criação do primeiro periódico especializado em dança da América Latina – a Revista Dançar –, a empresa reúne milhões de espectadores em seus incontáveis espetáculos, shows, projetos proprietários e sociais. Atualmente, o grupo formado por 4 empresas oferece diversos serviços na área de entretenimento e cultura, prestando consultoria para empresas como Deloitte, Vale, Ambev, IBM entre outras. Já realizou mais de 35 projetos proprietários como Avon Women in Concert, Criação Teatral Volkswagen, Dupont Basic Sound, Viagem Nestlé pela Literatura, entre outros; exposições como Riachuelo Mostra Moda e Samsung Rock Exhibition, festivais como HSBC Music Series, Telefônica Open Jazz, C&A Pop Music, Carrefour Music Fest, Festival da Padroeira e Samsung Best of Blues and Rock, além de grandes turnês internacionais de artistas icônicos como Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Sarah Brightman, Ray Charles, Buddy Guy, George Benson, Joss Stone, Diana Krall, Norah Jones, Ben Harper, Chris Cornell, Jeff Beck, Richie Sambora, Seal, Joe Satriani, Tom Morello, Zakk Wylde, entre outros.

 

Conheça a história da Dançar Marketing em www.dancarmarketing.com.br

 

Serviço | Samsung Rock Exhibition Rita Lee

Data: a partir de 23 de setembro de 2021

Local: MIS - Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158, Jardim Europa - São Paulo/SP

Horário: de terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Ingressos: a partir de R$ 25,00, nas plataformas da Ingresso Rápido e INTI

Classificação indicativa: Livre

 

domingo, 16 de maio de 2021

DC: A Nova Fronteira; para Darwyn Cooke








            Há algumas certezas já bem estabelecidas no mundo maravilhoso dos quadrinhos.

            Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, foi uma revolução que até hoje influencia não somente as histórias do Batman, mas de todos os super-heróis.

            Watchmen, de Alan Moore, muito pelo contrário representa uma completa desconstrução da narrativa típica desses personagens.

            Para mim, que desde que li a obra-prima que pretendemos homenagear aqui, em 2007, DC: A Nova Fronteira está no mínimo em pé de igualdade com as duas tramas mencionadas acima. Especialmente por fazer o que a magistral história elaborada pelo gênio Darwyn Cooke fez: reafirmar o ideal, os valores e tudo que nos faz fãs de quadrinhos em primeiro lugar!


 

           As inigualáveis mais de 400 páginas dessa obra essencial são uma declaração de amor ao gênero, com suas cores, seus personagens sorridentes, o clima vibrante dos anos 1950 e de novo, pela reafirmação de que herói é aquele que faz a coisa certa porque pode. Que encara o perigo sem medo, aceitando as consequências da luta pela liberdade, esta que é um elemento essencial e inegociável da condição humana. E que deixa as diferenças de lado e se une a outros heróis para, ao final do dia, salvarem o mundo!

            Darwyn Cooke, o gênio nascido em 16 de novembro de 1962 e que partiu cedo demais, em 14 de maio de 2016, portanto já há cinco anos, conseguiu com DC: A Nova Fronteira lançar uma luz sobre o universo dos quadrinhos que brilha intensamente ainda hoje. E é para honrar sua memória que apresentamos esta pequena homenagem.

            Aqui no Brasil foram publicadas duas versões dessa HQ. A primeira, em dois volumes e capa cartonada, foi lançada em 2006 e já continha uma ótima quantidade de extras. Mas nem se compara com o primor que é a edição em capa dura de 2018, que além de comentários do próprio Cooke detalhando cada capítulo da obra, traz trechos inéditos que detalham mais personagens essenciais à trama, como Flash e o Caçador de Marte. Além disso, apresenta três histórias também inéditas que contam uma aventura bem feminista de Mulher-Maravilha e Canário Negro, uma investigação que reúne Robin e Kid Flash, e o primeiro confronto entre Batman e Superman, que se passa antes da primeira menção a eles na história principal e é resolvido pela Princesa Amazona.


            A luxuosa edição ainda apresenta mais textos e artes extras, e é um documento absolutamente essencial para qualquer colecionador! Estou relendo a trama capítulo a capítulo, entremeando com os comentários de Darwyn detalhando-os, e tem sido maravilhoso, como se redescobrisse novamente esse conto extraordinário! Sabemos assim que, no começo da trama em 1945, ele queria que fosse o Sargento Rock e sua equipe a encontrar a ilha misteriosa, mas que precisou por certos motivos usar os Perdedores. Mas Rock aparece em destaque no painel, logo no início, que explica porque os heróis ficaram de fora da Segunda Guerra Mundial.

            A debandada da Sociedade da Justiça da América, outra cena impactante do início da história, foi por Darwyn inspirada em outro clássico da DC que pouca gente conhece, A Era de Ouro de James Robinson, Paul Smith e Richard Ory. Isso se deveu à famigerada era do macarthismo, quando os quadrinhos foram fortemente censurados, o que motiva, na história, a perseguição a vários heróis.

            Um dos melhores elementos de A Nova Fronteira é como Cooke apresenta seus personagens lidando com as questões de momento, ao passo que o pano de fundo para a grande ameaça que por fim todos terão que enfrentar vai sendo construído aos poucos. Uma das leituras que o inspirou nisso foi a história A Guerra que o Tempo Esqueceu (The War That Time Forgot) apresentada na revista Star Spangled War Stories. A ideia que ele teve a partir daí foi simplesmente genial!


            Um dos arcos mais emocionantes e chocantes de Nova Fronteira é o de John Wilson, que se torna o vigilante John Henry quando sua família é assassinada. John é negro no Tennessee, o que tornava a vida quase impossível diante da opressão da Ku Klux Klan. E como Darwyn comenta, ver a criatura mais inocente da história cometer o ato mais abominável de toda a trama é chocante. Mas há uma compensação no final, mostrando sem dúvida como John Henry é um dos maiores heróis da história.


            O arco mais longo e o principal é sem dúvida o de Hal Jordan, personagem que é o favorito de Darwyn. E de novo, é brilhante como ele mistura com perfeição ficção e fatos reais em sua história, passando pelo final dos anos quarenta com menções ao filme Os Eleitos (assista!), a Guerra da Coréia onde ele nos brinda com uma das melhores versões de Lois Lane já vistas, até a Indochina onde a Mulher-Maravilha aplica uma lição que o Superman nunca mais deve ter esquecido.

            A Princesa Amazona, por sinal, é um dos pontos focais da trama e a voz da consciência, fazendo o kryptoniano questionar sua opção de cooperar com o governo norte-americano. A chegada do Caçador de Marte, que adota a identidade do investigador de polícia John Jones, é fundamental não somente para o desenvolvimento do arco de Hal Jordan, como também para a descoberta do grande perigo de toda a saga. Isso acaba envolvendo o Batman, que por sua vez considera o Superman o mais qualificado a lidar com a questão. Sim, evocando a história extra mencionada acima!

            Em 2008 A Nova Fronteira foi adaptada como uma das melhores animações já lançadas pela DC e Warner.

 

Trailer DC: A Nova Fronteira



 

            É bastante fiel ao conteúdo principal da história, mas assim como Darwyn Cooke comentou na época, eu mesmo senti muita falta de um grande número de sequências. Talvez, como foi feito com O Cavaleiro das Trevas, devesse ter sido adaptada em duas partes. Isso permitiria explorar melhor a complexidade de muitos personagens fundamentais para a trama. Rick Flagg é um deles, e por favor esqueçam a versão do filme Esquadrão Suicida! Acho impressionante como ele é quase um equivalente ao Comediante de Watchmen, mas da mesma forma como aquele não conseguimos odiá-lo, justamente por suas falhas e paixões muito humanas!


            Cooke explora esse e outros personagens obscuros da DC Comics, como Os Perdedores já mencionados, a Força-Tarefa X e os Desafiadores do Desconhecido, e os feitos de todos estes na história passam aquela vontade de pesquisar mais a respeito deles. A luta de boxe entre Pantera Grant e um ainda estreante Cassius Clay é uma das mais espetaculares sequências da saga, por sinal. Figuras muito reais têm participação curta mas de destaque, como os apresentadores Edward R. Murrow, um dos corajosos a combater o macarthismo, e Walter Cronkite. Como assim você não sabe quem é ele!?

 

Walter Cronkite homem na Lua


 

            Outro projeto de animação de que Darwyn Cooke tomou parte foi a inigualável Série Animada do Batman, na qual reafirmou seu talento desenhando os storyboards das cenas. Além disso, elaborou o conceito da abertura de Batman do Futuro:

 

Batman do Futuro abertura



 

            E também é dele o curta de Batman do Futuro celebrando os 75 anos do Morcego:

 

Batman do Futuro Batman 75 anos


 

            Nas HQs ele participou de inúmeros projetos, sempre com grande destaque. Vale mencionar as graphic novels Batman: Ego e Mulher-Gato: Um Crime Perfeito, a história de Antes de Watchmen – Espectral e a história e a arte de Antes de Watchmen – Minutemen. Esta última, não por acaso, a melhor da série!


           
Fiquei muito emocionado quando li Future Quest, de Jeff Parker, Evan Shaner e Steve Rude, que reúne os clássicos personagens da Hanna Barbera, e percebi semelhanças indisfarçáveis com a trama de A Nova Fronteira. Conferindo nos textos extras descobri que ele participou dos primeiros esboços dessa história, que evidentemente se tornou uma de minhas preferidas! E outra ótima referência foi feita no número 26 da Turma da Mônica Jovem, segunda série, no grande encontro com os personagens da DC Comics. O roteiro de Marcelo Cassaro é também uma bela homenagem ao grande universo de Darwyn Cooke!

            DC: A Nova Fronteira é uma declaração de amor aos quadrinhos, e de longe a maior obra-prima dessa arte no século XXI. Eu a coloco tranquilamente ao lado das grandes HQs mencionadas no início deste texto como uma das mais importantes histórias de super-heróis já criadas. E encerro este texto saudando esse artista extraordinário que lançou uma luz brilhante e duradoura sobre a arte dos quadrinhos, nos fazendo acreditar novamente nos mais nobres ideais e valores que fazem um herói de verdade.

            Pois foi isso que Darwyn Cooke foi, e é. Obrigado, mestre, por sua obra inigualável, que continuará nos encantando e inspirando para sempre!